IA: produtividade e o risco (de fazer ou não)

Nessa última edição do Web Summit Rio 2026 percebemos uma mudança importante, que já foi objeto de análise desta newsletter: depois da euforia das startups, veio uma fase mais seletiva, mais realista e mais exigente. A IA estava em todos os lugares, mas justamente por isso deixou de ser, sozinha, um diferencial competitivo.

A inteligência artificial passa de uma promessa distante a instrumento de trabalho. Ela já está mudando, na prática, a forma como empresas pensam, testam, constroem e executam.

A pergunta deixou de ser: “essa empresa usa IA?”

E passou a ser: usa IA para resolver qual problema, com que profundidade, com quais dados, com que capacidade de execução e com qual segurança?

Todos estão aprendendo ao mesmo tempo. Todos estão testando ferramentas novas. Todos estão descobrindo que atividades que antes exigiam semanas de estruturação, reuniões, briefings técnicos e desenvolvimento podem, em alguns casos, virar um protótipo funcional em poucos dias.

A nova economia de testar ideias

Até pouco tempo atrás, transformar uma ideia em produto exigia um caminho relativamente longo: desenhar o conceito, envolver tecnologia, priorizar no roadmap, desenvolver, testar, ajustar e só então colocar algo na frente do cliente.

Esse processo continua sendo necessário para construir produtos robustos. Mas a etapa anterior, a da experimentação, foi profundamente acelerada.

Na iaas!, vivemos isso de forma concreta. Recentemente, conseguimos prototipar um produto em cerca de uma semana e colocá-lo na rua para teste.

Não foi apenas um ganho de produtividade. Foi uma mudança na forma de construir.

Quando se reduz o custo de testar, aumenta-se a quantidade de hipóteses que uma empresa consegue validar. Quando se reduz o tempo entre a ideia e o teste, diminui-se o desperdício. Quando o próprio time de negócio consegue prototipar, pesquisar, organizar informações, estruturar fluxos e simular soluções, a conversa com tecnologia muda de natureza.

Ela deixa de começar em: “tenho uma ideia, vamos ver se é possível?”

E passa a começar em: “testamos algo, funcionou até aqui, agora precisamos transformar em produto de verdade.”

Isso não diminui o papel da tecnologia. Pelo contrário. Valoriza ainda mais. O time técnico passa a entrar em momentos mais qualificados, com hipóteses mais maduras, problemas mais claros e evidências mais concretas.

Se alguém vai substituir você, que seja você mesmo

Dentro da iaas!, temos uma brincadeira que resume bem essa mentalidade: se a inteligência artificial vai destruir algum produto nosso ou algum serviço que prestamos, é melhor que sejamos nós a destruir primeiro.

A frase parece exagerada, mas traduz uma postura importante.

A pior posição para qualquer empresa hoje é defender o passado apenas porque ele funcionou até aqui. Se uma tarefa pode ser automatizada, ela provavelmente será. Se uma análise pode ser acelerada, alguém vai acelerá-la. Se um produto pode ser simplificado por IA, alguém vai tentar fazer isso.

E talvez esse alguém não seja apenas um concorrente. Pode ser o próprio cliente.

A escolha real não é entre preservar ou mudar. É entre liderar a mudança ou ser surpreendido por ela.

De tarefas para agentes

Essa mudança também altera a cultura de trabalho. Em temas jurídicos, regulatórios, operacionais, tecnológicos ou de produto, a pergunta deixou de ser apenas: “qual entrega precisamos fazer?”

Cada vez mais, a pergunta passa a ser: como transformamos essa entrega em um prompt, em um agente, em uma base de conhecimento ou em um processo replicável?

A diferença é profunda. Não se trata apenas de usar IA para fazer uma tarefa mais rápido. Trata-se de evitar que a mesma tarefa precise ser refeita manualmente todas as vezes. Cada análise, cada pesquisa, cada fluxo e cada decisão recorrente precisa virar aprendizado organizacional.

É aqui que a inteligência artificial deixa de ser uma ferramenta individual de produtividade e começa a se tornar infraestrutura da empresa.

Um colaborador que usa IA para escrever um e-mail ganhou eficiência pontual.

Uma empresa que transforma perguntas frequentes, pesquisas regulatórias, rotinas jurídicas, análises operacionais e processos internos em agentes e bases de conhecimento ganhou capacidade institucional.

A diferença entre uma coisa e outra será cada vez mais relevante.

IA no mercado regulado: oportunidade e responsabilidade

No mercado regulado, esse tema é ainda mais sensível. Gestoras, consultorias de investimentos, instituições financeiras, prestadores de serviço e multi family offices lidam diariamente com normas, documentos, cadastros, controles, auditoria, PLD, KYC, KYP, suitability, governança e relacionamento com reguladores.

São ambientes intensivos em informação, evidência, interpretação e repetição.

A IA tem enorme potencial nesse tipo de problema. Não porque substitui o conhecimento técnico, mas porque amplia a capacidade de organizar, recuperar e aplicar esse conhecimento.

Ela pode acelerar pesquisas, estruturar documentos, comparar normas, sugerir fluxos, identificar lacunas e permitir que equipes pequenas façam mais com menos desperdício.

Mas há um outro lado que não pode ser ignorado.

O risco também escala

Se a inteligência artificial passa a ser usada do estagiário ao presidente, em todas as áreas da empresa, o risco de vazamento de dados também aumenta.

Não necessariamente por má-fé. Muitas vezes, por informalidade, desconhecimento, falta de regra ou uso desorganizado.

O mesmo instrumento que acelera uma análise pode expor uma informação sensível. O mesmo prompt que ajuda a resumir um documento pode levar dados de clientes para um ambiente inadequado. A mesma ferramenta que aumenta produtividade pode criar fragilidades jurídicas, reputacionais e operacionais.

Esse é o dilema real.

Não usar IA pode parecer mais seguro, mas é uma falsa segurança. A empresa fica menos produtiva, menos competitiva e mais lenta.

Por outro lado, usar IA de forma descontrolada é igualmente irresponsável. Pode comprometer informações confidenciais, afetar clientes, gerar decisões mal fundamentadas e destruir confiança.

O caminho é governança

A resposta não está em bloquear a IA, nem em liberar tudo sem critério. Está em governança.

As empresas precisarão definir como seus colaboradores podem usar IA, quais dados não podem ser inseridos em ferramentas abertas, quais soluções são aprovadas, quais tarefas exigem revisão humana, quais usos devem ser proibidos e quais procedimentos de contingência serão adotados em caso de falha, vazamento ou uso indevido.

A inteligência artificial entrou nas empresas antes que muitas delas estivessem prontas para recebê-la.

Entrou pelo navegador, pelo celular, pelo entusiasmo dos funcionários e pela pressão por produtividade. Agora, a gestão precisa alcançar o uso real que já está acontecendo.

A pergunta que fica

Empreender ficou mais acessível, mas não necessariamente mais simples. Criar protótipos ficou mais rápido, mas construir empresas defensáveis continua difícil.

Usar IA ficou mais fácil, mas usá-la bem, com dados, governança, segurança e profundidade, será o verdadeiro diferencial.

No fim, a inteligência artificial não eliminou as perguntas fundamentais dos negócios. Apenas acelerou o momento em que elas precisam ser respondidas:

O produto resolve uma dor real?

O cliente percebe valor?

A empresa consegue distribuir?

O preço fica de pé?

O mercado é profundo o suficiente?

A concorrência consegue fazer igual, mais barato ou de graça?

A IA reduz o custo de testar respostas. Mas também reduz o custo para que outros testem as mesmas respostas. E talvez esteja justamente aí a diferença entre quem apenas usa inteligência artificial e quem conseguirá construir, com ela, empresas melhores.

Quem, de fato, vai conseguir ficar de pé?

Marcos Lemos

Com uma sólida experiência acadêmica e profissional, foi pesquisador na Universidade de São Paulo por quase quatro anos, contribuindo significativamente em projetos diversos, além de atuar como docente universitário.

Possui um histórico comprovado de excelência na academia e no mercado, sempre buscando soluções inovadoras e eficientes.

Ana Flávia

Bacharelanda em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do ABC (UFABC). Formação com foco no desenvolvimento de uma visão abrangente e habilidades analíticas para enfrentar situações e desafios econômicos reais.

Possui interesse em área de processamento de automação e uso de tecnologia no mercado financeiro.

Brenda Almeida

Atualmente, cursando Matemática Aplicada a Negócios na USP.

Com base no conhecimento adquirido durante o curso, possui uma sólida formação em matemática pura, administração, contabilidade, economia e computação.

Thiago Antonio

É bacharelando em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do ABC (UFABC).

Possui uma sólida formação acadêmica no campo da Economia, tendo como foco o desenvolvimento de uma visão abrangente e de habilidades analíticas para aplicação em situações e desafios econômicos reais.

Maurício Castanheira

Maurício foi executivo de negócios de empresas de tecnologia do mercado financeiro de renome, dentre elas a Britech, BLK e Luz Soluções Financeiras. Trabalhou no pregão na BM&F (atual B3) por 10 anos e em instituições financeiras como a Hedging Griffo. É formado em Administração na Universidade São Judas.

Na iaas! irá atuar na área comercial e prospecção de negócios.

Juliana Medeiros

Formada em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e mestranda em Direito Empresarial Internacional pela Universitè Libre de Bruxe les, Juliana atuou em gestoras e escritórios de destaque no mercado brasileiro e internacional.
Na iaas! dará mais substância a nossas análises e produtos, suportando nossas demandas na área jurídica.

Vinícius Herculano

É bacharelando em Matemática Aplicada a Negócios pela Universidade de São Paulo(USP), com uma sólida formação acadêmica que abrange tanto a área de economia quanto de computação.

Barbara Brito

Formada em Administração de empresas e cursando pós-graduação em Gestão de Vendas pela USP. Possui sete anos de experiência no mercado financeiro.

Participou de projetos que resultaram em aumento de qualidade e produtividade. Conhecimento em: Renda Fixa, Renda Variável, Derivativos,  zeragem de caixa e provisionamento de despesas, gestão de fundos e carteiras, análise operacional, relatórios financeiros, intermediação no cadastro de FIDC’s, fundos e cotistas, contrato de câmbio, abertura e manutenção de contas PF e PJ, análise de movimentações entre contas e/ou fundos, Processo de Due Diligence, análises quantitativas e qualitativas no Processo de Seleção de Fundos, Lâminas de Perfomance de Fundos e Prospecção e Pós-venda de clientes.

Sarah Alves

Bacharel em Administração, curso de especialização e pós-graduação em Gestão Estratégica de Processos Corporativos na PUC Minas Gerais.

Possui profunda experiência em melhoria de processos no mercado financeiro, trabalhando por mais de 4 anos em bancos, sendo 3 deles na área de investimentos.

Bruno Almeida

É Bacharelando em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do ABC (UFABC) e Bacharel em Ciências Humanas pela mesma universidade, com formação acadêmica voltada para as complexidades das relações humanas no mercado de trabalho.

Lucas Silvestre

Formado em Sistemas de Informação pela USP, com oito anos no mercado financeiro e dez em tecnologia. Finalizou um bootcamp em Ciência de Dados, aprimorando habilidades em tecnologias de ponta. Notável por inovação e soluções exclusivas para problemas complexos.

Atuou como Head de Middle Office na Neo, responsável por processos de back-office e middle-office. Mantém-se atualizado, focando em Inteligência Artificial e áreas afins.

André de Caires

Formado em Administração na Universidade Presbiteriana Mackenzie, com mais de 6 anos de experiencia em gestão financeira, desenvolvimento de métodos operacionais, controles internos e gestão de conflitos.

Foi responsável pela tratativa de demandas judiciais emitidas pelo Banco Central/CNJ para as instituições Crefisa Financeira e Banco Crefisa.

Débora Gomes

Formada em Administração de empresas pela UNIFECAF, possui também diversas certificações e treinamentos realizados na B3, ANBIMA, BR GOVERNANCE, SEBRAE e SENAC.

Mais de 15 anos de experiência no setor corporativo em diversos segmentos de administração, cadastro, financeiro e controles.

Ricardo Couto

CEO da Direto, uma proptech financeira dos grupos XP e Direcional. Foi sócio de Estruturação da i476 e Diretor de Investimento do Banco Inter, liderando as áreas de Mercado de Capitais, Fundos Imobiliários, Research e Trading.

Professor do IBMEC e da Fundação Dom Cabral, possui graduação em Engenharia Elétrica pela UFMG, MSc International Finance pela University of Westminster (UK) e Doutorado em Estatística pela UFMG.

É membro regular da American Statistical Association, do CFA Institute e da CFA Society Brazil, onde é Membro dos Comitês de Advocacy e Eleitoral.

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