A rápida convergência digital no Brasil

10 de outubro de 2025

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 A hora da convergência: o Brasil e a institucionalização da tokenização

Há anos em que nada acontece — e meses em que décadas acontecem.

É assim que o Brazil Tokenization Report 2025 – The Convergence Moment, elaborado pela Nexa Finance e a FinTrender, descreve o ano de 2025 no mercado de tokenização e ativos digitais em geral.

O ano vem sendo um ponto de inflexão: a convergência entre regulação, tecnologia e mercado, em que blockchain e ativos digitais deixam de ser experimentos e passam a integrar a infraestrutura oficial do sistema financeiro global.

No mercado financeiro, 2025 será lembrado como o ano em que o dinheiro digital, a regulação e o mercado de capitais finalmente se encontraram.

Você pode acessar o relatório no link a seguir:

Brazil Tokenization Report

Trazer aqui alguns insights do relatório, bem interessantes para pensar no futuro do mercado financeiro.

Do dinheiro digital ao mercado tokenizado

A revolução financeira começa pesado pelo dinheiro. O relatório mostra que as stablecoins — moedas digitais lastreadas em ativos reais, como dólares e títulos públicos — tornaram-se o primeiro caso de uso massivo de blockchain que ganhou tamanho, velocidade e popularidade.

O volume é impressionante: mais de US$ 3,5 trilhões movimentados por stablecoins ao mês, superando os volumes combinados de Visa e Mastercard. Tether e Circle, as duas maiores emissoras, já possuem carteiras de títulos do Tesouro americano que rivalizam com fundos de pensão e seguradoras. Ou seja: o “dinheiro on-chain” deixou de ser uma promessa e virou uma nova camada de infraestrutura financeira.

Com a base monetária digitalizada, o próximo passo esperado é inevitável: a tokenização de ativos reais (RWAs – Real World Assets). Se stablecoins representam o dinheiro, RWAs representam o patrimônio — e essa diferença é crucial para entender a nova fase que se espera.

Os mercados de câmbio e de títulos privados observam atentamente a tudo isso…

Regulação: o que o mundo aprendeu

O Convergence Moment coincide com o avanço regulatório em escala global. Nos Estados Unidos, o GENIUS Act (Guiding and Establishing National Innovation for U.S. Stablecoins) criou o primeiro regime federal para stablecoins, exigindo reserva 1:1 em ativos líquidos, auditorias mensais e proibição de pagamento de juros. Na Europa, o MiCA entrou plenamente em vigor, com 50+ licenças concedidas e regimes específicos para tokenized securities.

Esses marcos encerram o “vácuo regulatório” que travava a institucionalização da tokenização. O novo paradigma é claro: ativos digitais sim, mas sob as mesmas regras prudenciais de ativos tradicionais. A diferença é o formato — não o dever fiduciário.

A nova fronteira: RWAs

Tokenizar é representar digitalmente um ativo do mundo real — um título, uma cota, um crédito, uma ação — em uma rede blockchain, garantindo autenticidade, rastreabilidade e execução automática via smart contracts.

No jargão técnico, o token se torna um “wrapper jurídico-digital” do ativo: ele carrega metadados que identificam o emissor, o titular, o preço, as condições contratuais e, em alguns casos, até as regras de compliance (KYC, suitability, PLDFT).

O resultado é um mercado mais transparente, programável e acessível, com liquidação instantânea, custos menores e possibilidade de fracionamento de ativos ilíquidos.

Estudos citados no relatório projetam um mercado global de US$ 16 a 30 trilhões em ativos tokenizados até 2030 — um crescimento de até 50x em menos de cinco anos. E essa previsão não vem de startups: vem de instituições como BlackRock, Franklin Templeton, BNY Mellon, JPMorgan e UBS — todas já com produtos tokenizados em operação.

Como será a velocidade de adoção de tudo isso para investidores comuns e institucionais?

Brasil: a regulação se move (e rápido)

No contexto brasileiro, o movimento é surpreendentemente avançado. O Banco Central encerrou as consultas públicas que preparam o licenciamento formal dos prestadores de serviços de ativos virtuais. A CVM, por sua vez, abriu a SDM 05/2025, propondo uma revisão profunda da Resolução 88, que regula ofertas públicas via plataformas eletrônicas — agora explicitando a possibilidade de tokenização de valores mobiliários e títulos de securitização. No Congresso, o PL 4.308/2024 busca criar uma moldura específica para stablecoins.

Esses marcos, somados à Lei 14.478/2022 (VASP Law) e à Lei 14.754/2023, criam um arcabouço jurídico dual — o BC cuida do ecossistema de pagamentos e stablecoins, e a CVM, da emissão e distribuição de tokens de investimento.

O relatório é categórico: o Brasil já é o principal hub de tokenização da América Latina. Mais de R$ 1 bilhão em ativos tokenizados foram emitidos no país; 70% das plataformas reportam melhora regulatória em relação a 2024; e 90% das transações cripto brasileiras já envolvem stablecoins, segundo o Banco Central.

Teremos mais agilidade, democratização e redução de custos de transação em câmbio e negociação de ativos?

Do Drex ao BRL tokenizado

Curiosamente, o avanço do mercado privado superou o cronograma do Drex (o real digital oficial). Stablecoins como BRZ, BRLA, BRL1 e BBRL já oferecem lastro em reais, integração com o PIX e auditorias independentes — ou seja, a tokenização da moeda brasileira já está acontecendo, ainda que fora do guarda-chuva estatal.

A CVM e o BC sabem disso, e o mercado também. O desafio não é mais tecnológico, e sim jurídico e operacional: garantir equivalência regulatória, interoperabilidade entre redes e governança adequada — temas que remetem diretamente ao espírito da RCVM 175, de segmentação e proporcionalidade regulatória.

Que produtos novos será que veremos a partir disso tudo?

A convergência institucional

A tokenização vive o mesmo estágio que a inteligência artificial viveu há poucos anos: antes de se tornar visível para o público, ela já estava rodando silenciosamente nas infraestruturas das instituições.

Hoje, bancos, gestoras e bolsas estão “tokenizando” bastidores — tesourarias, fundos, estruturas de crédito — preparando o mercado para uma migração gradual. O blockchain deixa de ser “cripto” e passa a ser infraestrutura de compliance, registro e liquidação.

É o que o relatório chama de behind-the-scenes phase: a fase em que a tecnologia ainda não aparece no front-end, mas redefine o back-office da indústria.

Qual será a velocidade e alcance deste tipo de transformação nas estruturas de pessoas e sistemas atuais?

O papel da governança

Para que essa transição seja sustentável, o papel da governança regulatória é central. Tokenização não é desintermediação total, mas reconfiguração das intermediações — do custodiante ao fiduciário, do administrador ao validador, do distribuidor ao protocolo.

A área de produtos e o gestor de recursos precisarão entender tanto a mecânica de um fundo tradicional mas de todos os novos veículos e produtos disponíveis (wrappers). O compliance officer terá de lidar com riscos de on-chain AML. E o investidor institucional passará a avaliar contratos programáveis como hoje avalia term sheets.

A tokenização não elimina o back e o middle office: ela o automatiza.

O que vem a seguir

O Brasil está bem-posicionado — e não por acaso. Aqui o sistema financeiro aprendeu a integrar inovação com regulação (vide PIX, open finance e Drex). Agora, o país tem a oportunidade de aplicar essa experiência na tokenização: criar um modelo inclusivo, interoperável e institucionalmente seguro, capaz de conectar mercado tradicional e Web3.

Se 2020 foi o ano da digitalização dos pagamentos, 2025 em diante é o ano da digitalização dos ativos e das relações com os investidores. Seja para fazer um câmbio, pagar uma conta nas férias ou investir. Tudo está mudando muito rápido.

E, mais uma vez, o Brasil pode estar à frente — não apenas como usuário, mas como arquitetura da próxima geração do mercado financeiro.

O dinheiro está ficando cada vez mais digital. O nosso mercado de capitais também será, com toda certeza.

Marcos Lemos

Com uma sólida experiência acadêmica e profissional, foi pesquisador na Universidade de São Paulo por quase quatro anos, contribuindo significativamente em projetos diversos, além de atuar como docente universitário.

Possui um histórico comprovado de excelência na academia e no mercado, sempre buscando soluções inovadoras e eficientes.

Ana Flávia

Bacharelanda em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do ABC (UFABC). Formação com foco no desenvolvimento de uma visão abrangente e habilidades analíticas para enfrentar situações e desafios econômicos reais.

Possui interesse em área de processamento de automação e uso de tecnologia no mercado financeiro.

Brenda Almeida

Atualmente, cursando Matemática Aplicada a Negócios na USP.

Com base no conhecimento adquirido durante o curso, possui uma sólida formação em matemática pura, administração, contabilidade, economia e computação.

Thiago Antonio

É bacharelando em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do ABC (UFABC).

Possui uma sólida formação acadêmica no campo da Economia, tendo como foco o desenvolvimento de uma visão abrangente e de habilidades analíticas para aplicação em situações e desafios econômicos reais.

Maurício Castanheira

Maurício foi executivo de negócios de empresas de tecnologia do mercado financeiro de renome, dentre elas a Britech, BLK e Luz Soluções Financeiras. Trabalhou no pregão na BM&F (atual B3) por 10 anos e em instituições financeiras como a Hedging Griffo. É formado em Administração na Universidade São Judas.

Na iaas! irá atuar na área comercial e prospecção de negócios.

Juliana Medeiros

Formada em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e mestranda em Direito Empresarial Internacional pela Universitè Libre de Bruxe les, Juliana atuou em gestoras e escritórios de destaque no mercado brasileiro e internacional.
Na iaas! dará mais substância a nossas análises e produtos, suportando nossas demandas na área jurídica.

Vinícius Herculano

É bacharelando em Matemática Aplicada a Negócios pela Universidade de São Paulo(USP), com uma sólida formação acadêmica que abrange tanto a área de economia quanto de computação.

Barbara Brito

Formada em Administração de empresas e cursando pós-graduação em Gestão de Vendas pela USP. Possui sete anos de experiência no mercado financeiro.

Participou de projetos que resultaram em aumento de qualidade e produtividade. Conhecimento em: Renda Fixa, Renda Variável, Derivativos,  zeragem de caixa e provisionamento de despesas, gestão de fundos e carteiras, análise operacional, relatórios financeiros, intermediação no cadastro de FIDC’s, fundos e cotistas, contrato de câmbio, abertura e manutenção de contas PF e PJ, análise de movimentações entre contas e/ou fundos, Processo de Due Diligence, análises quantitativas e qualitativas no Processo de Seleção de Fundos, Lâminas de Perfomance de Fundos e Prospecção e Pós-venda de clientes.

Sarah Alves

Bacharel em Administração, curso de especialização e pós-graduação em Gestão Estratégica de Processos Corporativos na PUC Minas Gerais.

Possui profunda experiência em melhoria de processos no mercado financeiro, trabalhando por mais de 4 anos em bancos, sendo 3 deles na área de investimentos.

Bruno Almeida

É Bacharelando em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do ABC (UFABC) e Bacharel em Ciências Humanas pela mesma universidade, com formação acadêmica voltada para as complexidades das relações humanas no mercado de trabalho.

Lucas Silvestre

Formado em Sistemas de Informação pela USP, com oito anos no mercado financeiro e dez em tecnologia. Finalizou um bootcamp em Ciência de Dados, aprimorando habilidades em tecnologias de ponta. Notável por inovação e soluções exclusivas para problemas complexos.

Atuou como Head de Middle Office na Neo, responsável por processos de back-office e middle-office. Mantém-se atualizado, focando em Inteligência Artificial e áreas afins.

André de Caires

Formado em Administração na Universidade Presbiteriana Mackenzie, com mais de 6 anos de experiencia em gestão financeira, desenvolvimento de métodos operacionais, controles internos e gestão de conflitos.

Foi responsável pela tratativa de demandas judiciais emitidas pelo Banco Central/CNJ para as instituições Crefisa Financeira e Banco Crefisa.

Débora Gomes

Formada em Administração de empresas pela UNIFECAF, possui também diversas certificações e treinamentos realizados na B3, ANBIMA, BR GOVERNANCE, SEBRAE e SENAC.

Mais de 15 anos de experiência no setor corporativo em diversos segmentos de administração, cadastro, financeiro e controles.

Ricardo Couto

CEO da Direto, uma proptech financeira dos grupos XP e Direcional. Foi sócio de Estruturação da i476 e Diretor de Investimento do Banco Inter, liderando as áreas de Mercado de Capitais, Fundos Imobiliários, Research e Trading.

Professor do IBMEC e da Fundação Dom Cabral, possui graduação em Engenharia Elétrica pela UFMG, MSc International Finance pela University of Westminster (UK) e Doutorado em Estatística pela UFMG.

É membro regular da American Statistical Association, do CFA Institute e da CFA Society Brazil, onde é Membro dos Comitês de Advocacy e Eleitoral.

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