Consultorias: "Lá fora é assim!"
05 de agosto de 2025
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Nesta segunda feira, dia 04/08/2025, o tema foi tratado em uma reportagem publicada no ESTADÃO. Nela, nossa sócia Patricia Lima pontua que o setor no Brasil – em número de novas empresas de consultoria – cresce à taxas entre 20% e 30% ao ano, devendo se aproximar do total de 500 empresas credenciadas na CVM no final de 2025.
A seguir você pode acessar a reportagem para maiores informações:
No mercado financeiro, sempre que se fala em perspectivas futuras para um setor, é comum tentar entender como os mercados maduros (principalmente Estados Unidos) são hoje, usando como “proxy” do que poderemos ser.
Na imprensa se dá muito espaço quando alguém fala “lá fora foi assim”, soa quase profético.
E, em geral não há muito tempo ou fonte para verificar se “lá fora é assim mesmo”, se a análise está ou não equivocada. Parece um argumento mágico para ter razão, e o que você falou passa a ser dado como fato.
Pois bem, sobre consultorias, hoje vamos trazer efetivamente como “lá fora é assim”, e, disponibilizamos a fonte para você analisar com mais propriedade. Replicamos dados do “INVESTMENT ADVISER INDUSTRY SNAPSHOT 2025”, compilado, desde 2000, anualmente, pela Investment Advisor Society.
Você pode acessar o relatório completo, de mais de 100 páginas, no “link” abaixo:
Industry Statistics – Investment Adviser Association
A indústria de consultoria nos Estados Unidos comporta 15.870 empresas diretamente cadastradas na SEC, que atendem 68,4 milhões de clientes (sendo 63,4% pessoas físicas), e, que em conjunto, detém US$ 144,6 trilhões em ativos.
Vale notar que deste volume, cerca de US$ 23 trilhões são diretamente de indivíduos, US$ 90,6 trilhões de “pooled vehicles” (fundos mútuos, e outros produtos de investimento em geral), e, US$ 29 trilhões de investidores institucionais (fundos de pensão, bancos, seguradoras, e empresas, por exemplo).
Por lá, apenas em 2024 o setor ganhou 474 novas consultorias (maior que o setor Brasileiro como um todo hoje). O surgimento de novas empresas foi positivo em 22 dos 24 anos de análise, sendo que os únicos 2 anos de declínio se deu por questões regulatórias, quando a SEC subiu o valor mínimo de ativos sob gestão (de US$ 25 para US$ 100 milhões), gerando uma consolidação de pequenos consultores (ou uma opção legal que é permanecer como consultor mas fora do espectro da SEC, sujeito apenas a reguladores estaduais).
A taxa média composta de crescimento do setor – em termos de número de empresas – é de 3,7% ao ano na série de 24 anos.
Destes consultores ativos, 73,4% são empresas limitadas, e 24,4% “corporations” (os 2,2% restantes são empresários individuais). O setor emprega 1.032.455 pessoas, sendo 92,7% das empresas de menos de 100 colaboradores, e, 97,7% tem menos de 50 colaboradores.
Do total, 2/3 dos escritórios de consultoria tem carteiras de clientes de menos de US$ 1 bilhão, e, 90% menos de US$ 5 bilhões.
Desde 2001, quase 50% das empresas de consultoria atendiam investidores fora da faixa dos “High Network Individuals” (aqueles muito ricos).
Do total, 94% trabalham no modelo “fee based”, com 91,6% seguindo o modelo discricionário (nota: nos Estados Unidos os consultores podem executar as ordens pelos clientes, eles tem poder para fazer o que só os administradores de carteira fazem no Brasil).
Mais de 80% das empresas não apresentam histórico algum de processos ou punições (desde 2000). Isso parece indicar o quão fiduciário vem sendo o modelo empiricamente.
O setor por lá, justamente por ter muitos anos de tradição tem assistido ao aumento do movimento de M&A (29,3% em 2024, contra 14,5% em 2014).
Os ativos sob gestão dos consultores cresceu 12,6% em 2024, e com avanço positivo em 21 dos 24 anos da série acompanhada, rendendo na média 8,5% ao ano no período aos investidores.
Uma falácia comum é falar que nos Estados Unidos o mercado e consultoria substituiu o mercado de corretoras. Não é bem verdade. Os dois mercados convivem, mas, de fato o mercado que cresce é o de consultorias, como mostram os dados abaixo:
De 2017 até 2024, houve uma queda de 11,4% no número de corretoras, e, crescimento de 26,2% no número de empresas de consultoria.
O relatório separa perfis de atuação de consultorias, e, demonstra que o mercado de empresas totalmente focadas em indivíduos apresenta uma média de US$ 393,4 milhões sob consultoria, 8 funcionários, 2 escritórios e cerca de 2,5 mil clientes na média, ou seja, um tíquete médio de varejo, de cerca de 150 mil dólares.
Já as demais empresas focadas não apenas em indivíduos, mas, também em institucionais ou fundos e outros veículos de investimento tem uma escalabilidade sensivelmente maior.
Boa parte dos negócios ainda são concentrados ao menos em termos de presença física: mais de 50% das empresas de consultoria possuem apenas um escritório.
Outro número interessante sobre o tema é que 17,3% dos escritórios declarados são residenciais.
Sobre “fees”, a maior parte do mercado efetivamente trata com formatos diretamente baseados no volume de recursos sob gestão, havendo baixa presença da cobrança de performance, aplicável apenas a aproximadamente 1/3 do total.
Mas apenas 17,4% cobra apenas um percentual do patrimônio. Existem diversos modelos, dependendo do tipo de investidor, em que se combina cobrança de horas, performance, ou cobrança por processos de planejamento financeiro, como destacado abaixo:
Enfim, destacamos aqui apenas alguns números interessantes, mas, há muitos detalhamentos importantes nas mais de 100 páginas do relatório.
Mas, destacamos pontos relevantes tratados aqui, como conclusão:
- O setor atende 10% da população americana (de 340 milhões de habitantes), e parcela muito maior indiretamente, já que o setor atenda ainda veículos de investimento (que por trás tem investidores diretos);
- Em 25 anos de cobertura do relatório, a taxa de crescimento do setor é positiva, com mais de 3% de crescimento em termos de número de empresa ao ano;
- Há um perímetro bastante equilibrado com empresas independentes de pequeno porte competindo com grandes “players” e mais de 1 milhão de empregos diretos;
- O mercado de consultoria convive com o mercado de corretagem, transacional, mas, seu protagonismo é nítido nos números;
- O retrospecto fiduciário fica evidente no baixo volume de processos sofridos pelas empresas; e
- Indo no melhor estilo de “Lá fora foi assim!” acho que no Brasil… É APENAS O COMEÇO!


