O velho, o novo e a competição no mercado financeiro
11 de agosto de 2025
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As vezes você inova por vontade. As vezes por necessidade.
Você pode optar por não inovar e as vezes isso até dar certo. Ou não…
Mas, é fato que o mercado financeiro em geral tem um viés conservador quando o assunto é inovação. E isso parece a força do hábito.
Se falamos dos segmentos que atuam junto a investidores pessoas física há uma tendência natural de ser conservador, resistir a mudanças e ter muita confiança de que o que já se construiu será resistente a “modas” e novidades. Por isso que quando o assunto é investimento, muito comum ver sites usando alegorias comuns como bússolas, montanhas, veleiros, gráficos e pessoas bem vestidas.
Se você está em uma posição dominante, acaba tendo a sensação de conforto e dá menos valor a concorrência, acreditando que em sua posição você tem mais capacidade de diluir custos, e que quem quer concorrer contigo será menos eficiente por não ter escala. Mas hoje a velocidade da transformação é muito maior e aceitação do cliente por testar novidades idem. O tempo passa e as gerações mudam, e os comportamentos também. E as soluções tecnológicas trazem eficiência de custos (nem vamos falar de Inteligência Artificial).
Tratar de alguns exemplos sobre o tema. Os bancos não tiveram a exata percepção do avanço do modelo de assessores de investimento, sempre criticando seus defeitos e tomando medidas paliativas. E, de tempos em tempos, sabendo que as vezes no Brasil as coisas dão meio errado, os juros sobem bastante, e isso coloca os investidores novamente na zona de conforto. Mas, efetivamente, os bancos não conseguiram adequadamente responder a este novo negócio. Mesmo com juros altos os produtos financeiros hoje estão mais sofisticados, e a demanda por assessoria existe.
Também vemos, faz vários anos, o avanço progressivo de modelos baseados ou na gestão ou consultoria (“gestores de fortuna”, “family offices”, “wealth management” e assemelhados) competindo por um quinhão do mercado de aconselhamento financeiro, com valores mínimos cada vez menores. E, os modelos dominantes dos bancos e dos assessores não sabem ao certo como reagir ou se posicionar frente a este movimento competitivo.
E se a gente falar de inovação em produtos, também parece que os gestores tradicionais apostam que seus espaços serão cativos. Mas surgem a cada dia novos gestores de ETFs, produtos estruturados com tíquetes menores, tokenizadoras, produtos cripto, plataformas de “crowdfunding”, soluções de “micro-investimento” (para valores muito baixos) e concorrentes não bancários por meios dos diversos tipos de “fintechs” e até “marketplaces” de vendas de produtos de consumo no varejo oferecendo investimentos. E os “players” tradicionais nem consideram muito essa concorrência e como se posicionar.
O mercado “tradicional” não oferece alternativas equivalentes de produtos e serviços na mesma velocidade.
Quem tem conta em bancos de varejo continua recebendo ligações de gerentes (que mudam a cada mês), basicamente oferecendo crédito e produtos tradicionais, no modelo transacional de sempre. E mais e-mails de venda de produtos (cartão de crédito e promoções).
Dentro das empresas que atuam no mercado de investimento falta beber na fonte do que é novo no ambiente de negócios. As estratégias de venda e marketing resistem. Hoje as empresas de tecnologia e “startups” fazem uso de processos de “funil de vendas” onde você consegue, com apoio tecnológico acessar qualquer nicho de clientes, seja por perfil, região geográfica, profissão, ou até onde a pessoa mora, e, com ferramentas adequadas acessa-los por e-mail, redes sociais, ligações e WhatsApp, para prospecção.
Tais métodos se mostram efetivos em setores de consumo mas são um tabu em diversos segmentos do mercado financeiro, que continuam prospectando de maneira lenta, apenas com contatos pessoais, gastando fortunas em almoços, apresentações de economistas, viagens e eventos. Tudo muito caro e sem muita garantia de dar certo isoladamente. Porque não se abrir ao novo e aprender boas experiências de outros setores adaptadas a sua cultura e realidade?
A gestão de marketing também no mercado financeiro carece de inovação. O investimento de gestores, consultores e empresas assemelhadas é inexistente. Ou muitas vezes se gasta sem metas e objetivos claros a serem atingidos. Estandes são montados em eventos apenas com um viés “institucional” e de propaganda e sem uma estratégia de resultado. E o “marketing” online é visto com ceticismo. Sites todos iguais e redes sociais idem.
A oferta de serviços também parece bastante igual, com relatórios de alocação consolidados com dezenas de páginas que o investidor não entende, com linguagem de mercado e grande dificuldade em falar a linguagem do investidor. Será que é isso que o investidor busca?
Nossa “newsletter” hoje é muito simples. É um desafio a reflexão. Você vai virar um dinossauro no que faz? Comece a pensar nisso nestes últimos meses do ano, e implemente processos de inovação no seu negócio. Vai fazer diferença em 2026.


